Louça acumulada

Uma pequena anotação encontrada em um dos meus cadernos com alguns toques atuais.

E naquela noite lavei a louça diversas vezes. A louça que naquela casa nunca se acumulara sobre o escorredor formava uma pequena montanha. A louça estava acumulando. Era ele quem secava a louça enquanto ela ou algum outro alguém lavava. A louça não esperava: ele a secava e guardava imediatamente. Meu avô não estava lá e não iria voltar. Eu não mais o veria secar a louça e me perguntar se eu queria café. A saudade iria nos acompanhar, eu sabia, porque ela já estava ali, junto com a dor. 

Há quatro anos a louça espera um pouquinho antes de ser guardada.

Isabela Costa Santos

Comentários

Fernando Viana disse…
Menina Isabela, dos blogs que ainda persistem e são dos que sigo a mais tempo, o seu tem estado ainda aí presente. Estar ainda próximo das tuas palavras me tem sido um consolo.

Sobre esse teu texto e a saudade contida nele só tenho a dizer que senti calar fundo o coração, pois a saudade é indefinível enquanto sentir. Dá um angasgo na garganta daquele que sabe o que se diz, mas precisa do silêncio pra ser compartilhado.

Beijo!
Fernando!

O blog vem passando altos e baixos comigo, chegou a passar um tempo fechado, mas continua sendo um espaço que gosto muito por poder compartilhar o que sinto e penso (por este motivo continuei a postar). Fico feliz por ainda te ver por aqui e poder ler os teus comentários.

Sobre a saudade: fica aqui o silêncio.

Beijo!

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